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Marvel versus DC do mundo dos vinhos

Quando eu era apenas um garoto (e parte de mim ainda é) adorava quadrinhos. Na época comecei como todo mundo, primeiro os gibis da Turma da Mônica, depois passei pelos do Mickey e Pato Donalds, até chegar nos clássicos super-heróis como Homem-Aranha, Batman e X-Men. Para vocês terem uma ideia, a morte do Superman e a saga da Era de Apocalipse foram marcos de minha infância/adolescência. Eu gostava de quase todos super-heróis, independentemente se eram da DC Comics ou Marvel. Lógico que tinha minhas preferências, mas lia as estórias de todos. E, particularmente, eu adorava os crossovers que juntavam personagens dos dois universos, como Batman vs Wolverine.

 

Mas por que estou contando esse lenga-lenga de quadrinhos se o assunto aqui é vinho? Simples. É porque nessa época eu tinha vários amigos que se definiam como fãs da DC e essa escolha significava necessariamente para eles não gostar da Marvel, e vice-versa. Era comum escolher um dos lados e nem tentar conhecer o outro. Já se se transformavam em haters (ok, sei que sou velho e naquela época não existia esse termo).

 

Hoje percebo que algo muito parecido acontece à minha volta. Seja na política, religião, futebol e até no mundo dos vinhos. Por exemplo, conheço várias pessoas que se definem como amantes de vinhos, e dizem adorar Bordeaux e não aturar os vinhos da Borgonha. Outros afirmam que vinho é somente aquilo que é feito com a Pinot Noir e a Chardonnay na Borgonha, em Cote D’or, e o resto é resto.  Parece que ao se declarar fã de uma região, deve-se falar mal da outra. E é essa “disputa” entre as duas mais famosas regiões vitivinículas da França que considero uma espécie de Marvel versus DC do mundo dos vinhos (algo parecido acontece com a disputa Novo Mundo vs Velho Mundo) .

Imagem encontrada em: https://comicvine.gamespot.com/forums/battles-7/marvel-vs-dc-in-bar-fight-all-without-powers-1592348/

 

Assim como em minha juventude, apesar de ter minhas preferências, tento apreciar os vinhos dessas duas regiões – e de todas as outras – entendendo suas diferentes características e dando valor a suas qualidades. E assim tento ignorar essas disputas bobas.

 

Para exemplificar, quando experimento um vinho tinto da Borgonha, procuro a elegância que a uva Pinot Noir traz ao expressar os diferentes terroirs dessa região. Geralmente ele é um vinho mais delicado, com boa refrescância, corpo médio e com aromas de frutas vermelhas, flores e notas terrosas. É claro que essas são características gerais e cada subregião da Borgonha tem personalidade própria. Até porque a classificação dos vinhos lá é tão detalhista que pode chegar ao limite de identificar até qual foi o vinhedo de onde as uvas foram provenientes (obrigado por isso, monges cisterciences!).

 

Em relação aos vinhos brancos da Borgonha, aahhh... suspiro só de lembrar de alguns que experimentei quando visitei a Cote de Beaune (metade norte da Cote D’or). Ali a Chardonnay expressa todo seu potencial, inclusive para o envelhecimento, apresentando equilíbrio, elegância e frescor. Ah! E claro que cabe aqui também uma menção honrosa aos super minerais e refrescantes Chardonnay de Chablis que em termos de classificação também faz parte da Borgonha (assim como as sub-regiões de Cote Chalonnaise, Mâconnais e Beaujolais).

 

Já quando falamos de Bordeaux, as características dos vinhos são bem diferentes. Primeiramente, a região tem uma vocação muito maior para a produção de vinhos tintos, diferentemente da Borgonha que tem brancos e tintos de igual qualidade – muitas pessoas até consideram os seus brancos melhores que os tintos. Mas para mim a maior diferença entre as duas regiões está na filosofia: em Bordeaux, ao contrário de sua “concorrente”, utiliza-se de mistura de castas para produção de seus 

vinhos, essa técnica também pode ser chamada de blend, corte ou assemblage. A intenção dos bordaleses é nobre, pois através dessa estratégia buscam encontrar um maior equilíbrio em seus vinhos. As uvas que são estrelas nessa região são a Cabernet Sauvignon e a Merlot, sempre bem escoltadas pela Cabernet Franc e com apoio moral de Petit Verdot, Malbec e algumas outras castas menos utilizadas.    

 

Os vinhos de Bordeaux costumam ter uma personalidade forte. Por ser uma região de clima mais quente que a Borgonha, suas uvas geralmente apresentam uma concentração maior de açúcar e consequentemente mais corpo e um teor alcóolico mais alto. Os aromas das frutas negras como ameixa e cassis nesses vinhos são bem presentes, muitas vezes acompanhados de um interessante mentolado trazido pela Cabernet Sauvignon. Notas aromáticas que lembram caixa de charuto, café e chocolate também são características bastante encontradas nos vinhos dessa região. Entres os exemplares mais conceituados (e caros) estão os produzidos pelos centenários Chateau Premier Cru Classé como Margaux, Latour, Haut-Brion, Lafite-Rothschild, Petrus e Mouton-Rothschild.

 

Seja sua preferência um Bordeaux ou um Borgonha, para mim um dos segredos para apreciar as coisas boas da vida é poder fazer suas escolhas, mas sem deixar de apreciar as diversas possibilidades que existem. Isso vale para os quadrinhos, vinhos, ... enfim, para a vida. E agora me dêem licença porque vou relaxar lendo um gibi do Batman tomando um Borgonha ou talvez assistiindo a um filme dos Vingadores acompanhado de um Bordeaux, ok!?

 

Agora me diz, o que você acha dessas divertidas comparações?

 

DC Comics -> Borgonha

Super Homem -> Romané Conti

Batman -> Clos Vougeot

Mulher Maravilha -> Montrachet

 

Marvel Comics -> Bordeaux

Vingadores ->Chateau Lafite-Rothschild

Quarteto Fantástico -> Chateau Petrus

X-Men -> Chateau Latour

 

 

 

 

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